26 de abril de 2008

O "achamento"do Brasil



Perdoem-me todos... os portugueses, os brasileiros, os que vêm ao blog e os que não vêm...
A data (22 de Abril) por que eu esparava à algum tempo e já tinha pensado fazer um post passou, e eu esqueci-me.
Pois bem, o importante desse dia é que se completam 508(!!!) anos que as histórias de Portugal e do Brasil se uniram, para partilharem tantas coias, boas e más, nos séculos seguintes...


Em 22 de Abril de 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil!!!!


E ainda hoje, eu acho, estes países irmãos caminham sozinhos, mas paralelamente, à distância de um Mar, separados pelas diferenças geográficas e culturais normais tendo em conta que estão em contextos, aliás Continentes, tão diferentes como a Europa e a América do Sul, mas ainda assim marcados por uma herança comum, um património comum, uma história comum (nem sempre de orgulho para Portugal...) e uma língua comum Uma série de afinidades que perduram entre dois irmão separados há muitos muitos anos.


A situação de ambos os países não é muito boa.
Quer a nível económico, nos dois; quer a nível social (no Brasil , muito mais do que aqui...); quer político (a factura a pagar por duas democracias a passar pela complicada fase da adolescência e dos excessos... rs -o ano de 1974 para Portugal foi 1985 para o Brasil...).

Ambos os países parecem estar a passar uma crise de identidade.

O Brasil, grande e poderoso, é um dos gigantes adormecidos (como a Índia). Perdido nos complicados problemas sociais, entregue a uma classe política em boa parte corrupta e incompetente, que por sua vez leva naturalmente o povo a "afastar-se" dela, o que leva a mais problemas, tarda a enconrar o rumo certo, e quanto mais se afasta, mais caminho há a percorrer.


Ás vezes dói ver um país com tantas potencialidade, tanta beleza, 190 milhões de pessoas e uma personalidade tão característica passar por tudo o que passa, sofrer como sofre.








Por isso, por respeito a todas as coisas más, é me impossível "amar" o Brasil... Assim como não amo Portugal, mas fora isso, têm os dois lugares priviligiados do meu coração. Uma "espécie" de amor rsrsrs






A recuperação há de acontecer, ainda que a demora leve à descrença e à falta de esperançae muitos, cada vez mais, compreensivelmente duvidem disso (talvez se vivesse no Brasil não teimasse assim tanto em querer ver uma luz no fundo do túnel...)
A recuperação, dizia eu, será um processo díficil, duro e demorado, mas um dia o Brasil há-de encontrar o rumo certo, e dar a volta por cima.... Nas previsões mais optimistas que tenho ouvido isso já está, muito muito lentamente a acontecer e, ao que sei, as coisas podem começar a melhorar (se calhar porque já não podem piorar mais...).

Esperemos que sim!!!!!!
Quanto a Portugal, à sua maneira, quase 100 vezes mais pequena que o Brasil (em área rs), passa por problemas relativamente equiparáveis a nível económico e político, mas a nível social as situações são distintas e incomparáveis, ainda que tenham piorado um pouquinho nos últimos anos, está a anos luz da situação do Brasil.


E acredito, cada vez um pouco menos, que um dia também passaremos este período mais díficil.


E assim, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe, continuaremos a contemplar-nos, cada um de um lado do Oceano, cada um com as suas especificidades e também afinidades.

Esperemos que o futuro traga boas novas a Portugal e ao Brasil!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




São os desejos óbvios de um luso-(afectivamente)brasileiro...



Fiquem bem

Beijos

13 de abril de 2008

Ilusões "da" óptica


Ás vezes dou por mim a pensar...
Sim! Acontece com alguma frequência. Distraio-me um bocadito apenas... desligo da conversa que estou a ter, ou esqueço a música que estou a ouvir e lá estou eu embrenhado nas movediças areias do meu intelecto. E penso...
Depois dizem que sou aluado, despistado, distraído etç. Em (boa) parte é verdade; eu gosto de "viajar"!

Porque é sem dúvida impossível viver neste mundo se não gostarmos minimamente dele (a menos que pertençamos a uma seita satânica ou assim rs) . Mas a verdade é que não há assiiiim tantas coisas que nos confortem aqui neste planeta: os amigos, alguns lugares, as manifestações de boa arte (por musica, filme, video..), o Amor claro!, algumas imagens e coisas que fazemos e enfim "pequenos nadas" -os prazeres da vida em geral...

Fora isso, um dos poucos portos seguros que temos é, na maioria dos casos, o "nosso mundo" interior. Aí sentimo-nos sempre confortáveis, em casa. Por isso, é inevitável que, por vezes tenhamos de nos fechar sobre nós próprios, como uma tartaruga se fecha na carapaça -e já há muito, Freud dizia que isto é uma das mais básicas e instintivas formas do homem se proteger contra o mundo que o rodeia e suas ameaças e perigos.
Logo, nada mais natural... Pensar é natural e saudável, e os momentos que passamos mais introspectivos são naturais, diria essenciais também. Tudo está em saber utilizar esse escape e conciliar isso com a vida social, saber quando "sair da casca" e quando "ficar em casa" é uma das lições mais importantes a aprender. Essa harmonia, esse equílibrio -fundamental para se poder ter alguma paz interior, vai-se conseguindo ao longo dos anos e é um processo dinâmico e que varia quase de dia para dia -há dias em que sentimos mais necessidade de parar para pensar, outros em que tudo o que precisamos é de uma boa dose de vida "vivida"!!! E assim também a medidada da nossa felicidade (a que temos, ou julgamos ter) e dos nossos objectivos também varia bastante com o passar do tempo. E como os dias não são, nem podem ser, todos iguais, também não adianta fazer esboços de um dia perfeito, daquilo que julgamos que podemos passar o resto da vida a fazer e ser felizes -deixaria de o ser uma semana depois, porque a essa "felicidade" também está em quebrar as rotinas, em diversificar, em não cair na monotonia da repetição de dias, como se fôssemos uma máquina de "fabrico de dias" em série... E ainda porque também nós mudamos com os dias, mudamos algumas ideias, aprendemos outras, crescemos, alteramos a ordem de alguns objectivos de vida rs
Por isso, tudo começa geralmnente com um sonho de ser Bombeiro, Polícia, ou Astronauta ou no meu caso, descobridor de tesouros rsrsrs, e acaba de 1001 maneiras!!!!!

Mas ainda não disse o que queria dizer, o "tal" pensamento que me fez vir aqui partilhá-lo.

Há dias dei por mim a pensar em algo que é recorrente, mas que é sempre diferente de cada vez que penso nela, como eu sou diferente a cada vez que penso. É o seguinte: pensei em como todas as grandes coisas que acontecem, todos os nossos grandes projectos e peripécias, tudo em geral está assente em bases tão frágeis, em meras coincidências, em factos irrelevantes, coisas simples, acontecimentos supérfluos, acções que julgamos serem nulas, mas podem ter importância - e é impossível controlar isso.
É a ideia base do "Efeito Borboleta"; por exemplo se certo dia um simpático senhor escocês de nome "Presley" em vez de ter ido a casa de um amigo, tivesse ido a outro lado, talvez tivesse conhecido uma simpática senhora, e logo surgindo uma paixão arrebatadora, nunca teria emigrado para os EUA e, logo, Elvis Presley nunca teria nascido como o conhecemos e logo a música hoje poderia ser (seria) totalmente diferente e por isso, todos nós também seriamos diferentes pois o mundo seria diferente (ou não)... Enfim não sei... Mas o que interessa é ver como a opção do Sr.Presley, antepassado de Elvis, numa certa noite do séc XVIII pode ter mudado o mundo de hoje.

Tudo muito complexo não é?
Ás vezes as coisas saem-me ao contrário... Imaginem que a ideia base deste post era "A importância de simplificar a vida" e saiu isto, talvez não muito congruente com essa ideia, quer dizer, depende de como se interpretar: se pensarem que por vezes os nossos gestos que pensamos serem grandes e importantes são insignificantes e outros aparentemente sem interesse podem definir o futuro sem nos darmos conta, como se a maneira como por vezes vemos as coisas e as classificamos em relevante e irrelevante não passasse de uma ilusão de óptica, um critério a precisar de reforma, uns óculos com graduação errada... Aí concluímos que o melhor mesmo........ é assobiar:

Don't worry, be happy

Beijos e muitas coisas boas para todos

7 de abril de 2008

Nostalgia

Hoje convidaram-me para ir tomar um copo ao Tavernier. Recusei. Direitos Reais tem começado a fazer parte do meu vocabulário, e o tempo já não é assim tanto (objectivo - queima das fitas 2008 )


Já não vou lá há bastante tempo. No primeiro semestre íamos todos lá, sempre às quartas. Lembrei-me então que foi por essa altura que escrevi um texto sobre esse bar, para uma aula de francês. O intuito era dar vontade a quem lê-se de visitar o lugar escolhido por nós. Ao lê-lo agora, tenho a certeza que exagerei um pouco, mas acho que é normal deslumbrarmo-nos com coisas novas que, quando geram um certo tipo de habituação, mesmo continuando boas perdem algum do seu brilho inicial.


Le Tavernier…


Le Tarvernier est un bar qui se trouve à Ixelles, dans le quartier de l’ULB près du cimetière et on peut y aller dès l’après midi parce qu’il est déjà ouvert. Toutefois à ce moment là il n’y a pas beaucoup de gens, alors si vous cherchez d’amusement, il faut arriver seulement le soir, où vous trouverez plus de personnes.


À l’instar de tous les autres bars dans ce quartier les étudiants sont la majorité des clients, mais au
Tavernier vous pouvez faire la connaissance avec plus de nationalités parce que c’est l’endroit d’élection pour les Erasmus. Mais faites attention, si vous avez un horaire souple, vous devrez y aller le mercredi où il aura un surcroît d’étudiants. Et pourquoi le mercredi demandez-vous ? Parce que ce jour là le Tavernier nous offre une géniale initiative qui s’appelle le « Jazzbreak ».Ce sont douze concerts de plusieurs groupes musicaux qu’on peut écouter pendant trois mois chaque mercredi à 22.30, et seulement pour 5 euros on a accès à tout cela.


Cette grande initiative fait bien sûr la différence pour le Tavernier. Cependant, le succès de ce bar n’est pas seulement dû aux concerts. Là-bas, nous pouvons aussi trouver une parfaite harmonie à l’intérieur avec une décoration assez intéressant et même quand le dj n’est pas là, la musique d’ambiance offre une atmosphère fantastique et très agréable.

Il faut aussi que je vous parle d’une autre attraction qui depuis longtemps emmène les gens vers ce lieu spécial. Le fameux thé à la menthe fraîche, qui est toujours disponible et qui a entraîné au Tavernier la reconnaissance qu’il sans aucune doute mérite. Donc, il faut l’essayer et vous verrez assurément le pourquoi de tant succès de cette maison.

À partir de la, nous pouvons conclure que cet endroit avec sa musique et l’assortiment de couleurs qu’il y a partout et aussi avec son esplanade fait du Tavernier un lieu impossible à manquer si vous venez à Bruxelles.

Nuno, 9.30 le mercredi

Mais e melhores informações no próprio site http://www.le-tavernier.be/

5 de abril de 2008

Sugestões


Hoje vi um filme que gostei bastante e decidi postar sobre ele, já que há tempos que não actualizo o blog. Aos que vêm aqui de vez em quando, desculpem o desleixo... A verdade é que não tenho tido muito tempo, tenho andado numa correria (ás vezes mais psicológica que física) e quando tenho tempo e net, isso nem sempre "rima" com a inspiração e por não tenho dito nada. Mas agora acho que posso voltar a tratar do blog com mais carinho novamente.... E o Desalinhado, claro, também aparece quando pode, é bemvindo, para nos brindar com os seus comentários "espectaculares" :P (Abraço!!!)

Quanto ao Memento, gostei do filme e acho que, não sendo nem de perto nem de longe "de excepção" ou brilhante, vale a pena ver, é BOM... É um filme, dentro do género de acção/suspense/thriller, com alguma originalidade, e bem realizado. A abordagem da linha temporal de forma pouco convencional é um traço marcante e um dos pontos fortes do filme... Esse tipo de filmes, que seguem uma linha temporal não linear sempre me agradou (lembro-me automaticamente de, pelo menos, o Dejá Vu e o The Butterfly effect) e de facto, essa construção temporal é O argumento mais forte que Memento tem, pois a história em si (acerca de um homem que após assassinarem a mulher passa a sofrer de uma espécie amnésia traumática de curto prazo, mas procura encontrar o criminoso, recorrendo para isso a um peculiar método de organização que lhe permite contornar e atenuar os efeitos e impactos da amnésia para poder obter as respostas que procura) é interessante e minimamente original mas não chega para fazer dele um filme que valha a pena...
Assim, imaginando que pegava nas 20 peças do puzzle e as juntava na ordem correcta, acho sinceramente que o filme poderia ser bastante desinteressante. Logo, conclusão forçada a que já tinha chegado no ínicio, a "fragmentação" do filme e da história é que o torna especial e assim, digno de um post.


Outra sugestão culturalmente relevante, quando não tiverem assim nada de mais para ver na net, dêem um saltito ao site da World Press Photo
(Aqui) http://www.worldpressphoto.org/
e apreciem algumas das boas obras fotográficas que se fazem ou fizeram nos últimos tempos (galeria WPP 2008), ao mesmo tempo que vamos viajando pelo mundo e recordando talvez episódios marcantes mas já esquecidos em nós; e acima de tudo, reflectindo e aprendendo a cada nova fotografia!!!
Uma espécie de compacto-dos-telejornais-mundiais-dos-últimos-50 anos-via-fotografia-com uma-grande-pitada-de-arte-a-acompanhar (Porque também, além do concurso 2008, podemos ver os vencedores do últimos 50 anos)

Beijos e tudo de bom para todos
Inté

25 de março de 2008

Vira o disco e toca o mesmo...

Já que estamos numa de filmes, e que grande essa obra chamada Pulp Fiction, no meu top 5 sem dúvida…top 3? Talvez. Melhor filme? não sei, mas anda perto.

Michael Clayton. Nomeado para 9 Óscares creio, este filme desilude. Desilude em termos de história argumento. Nada de novo. A grande empresa que com investimentos de milhões, acarreta sempre um prejuízo para alguém, ou então o seu novo produto tem algum ínfimo defeito que de todas as formas tenta ser escondido é algo que já por inúmeras vezes foi explorado nos filmes de Hollywood.

Se a isso juntarmos a clássica cena de um escritório de advogados, que não olha aos meios como paga as rendas e os salários, então a lista de filmes que já abordaram o tema começa a ser gigantesca. Mais, o estereótipo da entidade que está lá sempre, pronta para fazer o trabalho sujo é algo que já andamos fartos de ver.

Não digo que um filme tenha de primar pela originalidade, porque não tem. Só que neste caso são demasiados elementos já super utilizados que quando acumulados não resultam. E não resultam pois já todos sabíamos Tom Wilkinson iria acabar por morrer, e que a empresa iria ser apanhada. Então essa cena quando Clooney consegue a confissão de Tilda Swinton, alegando uma mentira quando ao mesmo tempo grava com o telemóvel, ou então está em linha com a polícia….Isso sim é um clássico, talvez não com o telemóvel, sinais dos tempos modernos, mas com um gravador escondido…Hum?

Salva-se a representação. Clooney está muito bem no meu entender e o resto da maioria das representações estão a muito bom nível, também não se percebe como se justifica o Oscar para Tilda Swinton mas…passa, Agora é sempre bom ver Sidney Pollack representar, sempre com a sua classe. É pena que o enredo não lhes permita brilhar um pouco mais. Esta luta entre David e Golias, muito melhor conseguida por exemplo em Erin Brokovich, não faz deste filme algo que nunca se tenha visto, nem chega a ser algo que valha a pena ver num domingo á tarde. No meu entender nem aí chega. Quanto aos actores podemos vê-los em filmes muitos melhores que Michael Clayton.

Percebe-se que não tenha ganho o Óscar para melhor filme, não se percebe é que tenha sido nomeado.

24 de março de 2008

Pedaço de arte

- Goddamn, that's a pretty
fuckin' good milk shake.

- Told you.

- I don't know
if it was worth $5.00...
but it was pretty fucking good.
...........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

- Don't you hate that?

- Hate what?

- Uncomfortable silences...
Why do we feel
it's necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?

- I don't know,
but it's a good question.

- That's when you know you've
found somebody really special.
When you can just
shut the fuck up for a minute and comfortably share a silence...


Uma cena daquelas...
De um dos filmes a quem o estatuto de "masterpiece" assenta na perefeição -Pulp Fiction (mesmo para quem não gosta muito de Tarantino)
Devia ser crime ter passado mais de 4 anos sem rever este filme. rs

20 de março de 2008

O Sonho americano



Sempre fui educado a ser aberto, sem preconceito nem ideias fixas, a pensar por mim mesmo e a aceitar também as opiniões dos outros... Mas há coisas que me custam a perceber.

Os EUA, e a sua cultura são das que mais me causam espanto e perplexidade (e talvez por isso, ás vezes algum fascínio também...)

Como é possível que um presidente que lança duas guerras injustas e sangrentas, e que no caso do Iraque fracassaram a vários níveis (como o de encontrar as tais bombas atómicas rs), que comanda o país aquando dos escândalos (que continuam) de Abu-Grahib e Guantanamo, com imagens que são capazes de fazer até o mais insensível dos homens chorar e ter vergonha de pertencer ao dito mundo ocidental do qual os EUA são (cada vez menos) o modelo; que com a sua "obsessão bélica" e políticas terríveis levou os EUA e o mundo, por arrastamento, a uma das maiores crises financeiras que há memória (e vamos ver onde irá acabar...) que conduz a um esperado défice orçamental histórico no país, que afastou ainda mais os EUA do mundo ao não ratificar o protocolo de Quioto entre imensos outros feitos notáveis...
Dizia eu, como pode este homem manter-se (com alguma tranquilidade) no poder, no mesmo país onde ainda há 10 anos caiu o carmo e a trindade quando Bill Clinton assumiu a sua infidelidade e deixou toda a gente revoltada, ou ainda a semana passada, o governador de NY, Eliot Spitzer teve de renunciar após o escândalo gerado por dormir com uma prostituta???????????????????

O que é que aqui não faz sentido???? Porque razão eu não compreendo esta forma de pensar???
Não estando minimamente a querer defender Clinton nem Spitzer, que tiveram um comportamento indiscutivelmente reprovável, é naturalmente incrédulo e confuso que me encontro perante esta situação absurda/contradição... Mas será que o que estes dois homens fizeram é mais censurável, mais grave para o país do que as 1001 gaffes de Bush? Mas será que a sua vida familiar e privada diz mais sobre a sua competência e sobre as suas próprias políticas do que... as suas próprias políticas (no caso de Bush)?
Parece-me bem que não...
Mas então, como se explica isto?
(aceita-se todo o tipo de respostas...Este Blog É uma democracia.)




Já agora, quem quiser fazer um bom teste sobre orientações políticas tá aqui (em inglês)






Eu fiz agora e deu isto, vale o que vale... Mas é sempre engraçado fazer e ver o resultados; eu não me consigo cingir a uma ideologia, muito menos naquela célebre dicotomia "direita-esquerda". Sei lá... Sou um pouco dos dois. Era tão redutor pensar que sou só de um assim de forma rígida e estrita.
Aquele ponto sou eu...




19 de março de 2008

A Causa das Coisas


O post de hoje tem tudo o a ver com o meu útimo post e também com o último d' "O Desalinhado"... Porque é sobre um livro, esse livro é do grande Miguel Esteves Bardoso, fala de Portugal e por fim, porque o texto que vou deixar para "aguçar" a curiosidade fala de leitura e de portugueses. Enfim, tudo isso tem tudo a ver com os dois posts que antecedem este...


"A Causa das Coisas" de Miguel Esteves Cardoso, um dos livros da lista aí do lado, é acima de tudo um livro de humor; mas é também um enorme e profundo exercício de análise e crítica sobre o nosso país e as pessoas que o fazem... Mas tudo feito com muita inteligência, perspicácia, imaginação e o grande sentido de humor que muito poucos além do MEC têm neste país mas também, apesar de tudo, sem pretensões ou grandes arrogâncias.

E apesar dos seus já longos 21 anos, é um livro com uma actualidade e pertinência impressionantes.


O livro consiste em pequenas crónicas publicadas no inicio/meados da década de 80 no Expresso pelo autor e que partem das mais variadas coisas, palavras, expressões, tiques, defeitos etç que caracterizam bem o nosso povo e o estado (então, como agora...) da nossa sociedade, numa mistura mordaz de humor e crítica social. Alguns dos títulos paradigmáticos são "Alcatifas", "Arranjar", "Campismo", "Carinho", "Chatice", "Corrupção", "Couves", "Emigrantes", "É-o-que-é", "Indecisos", "Já agora", "Mecânicos", "Merda", "Neura", "Palitos", "Piropo", "Portugas", "Pressa", "Público", "Só sei"...


Ao ouvir isto percebe-se porque razão Miguel Esteves Cardoso é um dos mais irónicos e cómicos, mas atentos, escritores portugueses. Ao ler o livro percebemos porque razão é, a nível interno, uma grande referência, modelo e fonte de inspiração para a vaga refrescante de "novos" humoristas que têm surgido no nosso país nos últimos anos!!!!!!!! Muito respeito.


Eu ando a lê-lo há meses, vagarosamente, uma crónica aqui, outra ali... Já li outros livros entretanto; este vou lendo, disfrutando com prazer e vagar e só assim tem sentido; goza-se melhor o livro se for lido "a espaços" (expressão, a propósito, muito portuguesa...) como aliás o próprio MEC recomenda no prefácio : "Dito isto é necessário recordar que os artigos foram redigidos para serem lidos um de cada vez, com descanso intervalar de seis dias. Lê-los de corrida é, sinceramente, insuportável. Não é por modéstia, mas para me defender do cansaço alheio alheio, quye recomendo que sejam lidos levemente."


E deixo-vos uma das crónicas que gostei, chama-se "Ler":



“Ler

De todo o tempo que perdem os portugueses, não há eternidade como o tempo que perdem a não-ler. Durante o Verão, o país enche-se de turistas estrangeiros e quase todos – seja na praia, seja no hotel - andam quase permanentemente com um livro na mão. Esta estranha proclividade deixa o português perplexo: «Estes bifes são todos malucos – pagam um balúrdio para cá virem e depois, em vez de aproveitarem, passam o tempo todo a ler… Até usam o livro aberto para marcar os lugares!»
É o facto cultural mais assustador de todos – os portugueses não lêem livros. Em nenhum outro país da Europa é tão raro ver alguém a ler um livro em público. Causa genuína aflição vê-los a não-ler. Na praia, nas salas de espera, nos comboios, enquanto almoçam sozinhos, nos cafés… em toda a parte se vê uma população atarefadamente dedicada à actividade de não-ler. Porque é que não aproveitam estes tempos mortos?
Não se sabe. Uma das causas será o facto do português ter horror à solidão. Esteja onde estiver, e por muito entediada que seja a sua condição, o português prefere estar a olhar para os outros – os tais que, por sua vez (em vez de estarem a ler), estão a olhar para ele.
O Português tem medo de se mergulhar num livro porque isso significa deixar de “estar à coca”. Não pode estar em lado nenhum sem sentir que está de serviço, a controlar a situação. Olha os que entram, os que saem; os que ficam, os que voam e fazem “Bzzzz…”. Nem é só por bisbilhotice – é por desconfiança. Não pegam num livro porque têm medo de apanhar com uma paulada nas costas enquanto estão distraídos. Para um português, ler é estar desprevenido.
Os preconceitos contra a leitura são terríveis. Entre o povo diz-se que faz mal à digestão ler a seguir ao almoço ou ao jantar. A obsessão dos portugueses com a digestão merecia, só por si, uma crónica. Na TV, na campanha do “Há mar e mar”, aconselham um mínimo de três horas! E julga-se que passam essas três ridículas horas a ler?
Os contos de Bruxa não acabam aí! Existe também a noção grosseira de que ler «cansa a vista» porque «faz mal puxar muito pela cabeça». O típico brutamontes defende-se destas acusações dizendo que «ando a trabalhar todo o dia e, quando chego a casa, é para descansar, não é para ler». A realidade é triste mas tem de ser revelada: o português prefere cansar-se a trabalhar (e lembremo-nos que tem a capacidade singular de cansar-se muito a trabalhar pouco) ao descanso que seria ele ler (…)”

É isto… Este livro “nasceu” no mesmo mês e mesmo ano que eu; desde então muito mudou neste país!!! Mas terá mudado assim tanto?
Deixo mais dois excertos de crónicas:

“Arranjar
Em Portugal, como todos sabem, é muito raro conseguir seja o que for. Em contrapartida tudo se arranja. O arranjar hoje é a versão portuguesa do conseguir. É verdade que “Quem espera sempre alcança”, mas como ninguém está para esperar, em vez de alcançar o que se quer, arranja-se outra coisa qualquer.
No fundo é talvez por não se terem as coisas que elas se têm de arranjar. Não se tem tempo, mas arranja-se. Já não há bilhetes, mas conhece-se alguém que os arranja. Ninguém tem dinheiro mas vai-se arranjando para o tabaco.
O próprio sistema político, económico, cultural, social estimula uma atitude para com o cidadão que se traduz pela expressão ”arranjem-se como puderem”. E o cidadão lá se vai arranjando. O mais das vezes este apelo constante ao improviso, à cunha e ao desenrascanço leva aos piores resultados. A continuar assim, o país está bem arranjado (…)”


“Já agora
Há uma instituição portuguesa que é única no mundo inteiro. É o “já agora”. Noutras culturas, tratar-se-ia de um pleonasmo. Na nossa, faz parte do pasmo.
O “Já agora” e a variante popular “Já que estás com a mão na massa…”, significam a forma particularmente portuguesa do desejo. Os portugueses não gostam de dizer que querem as coisas. Entre nós o querer é considerado uma violência. Por isso, quando se chega a um café, diz-se que se queria uma bica, e nunca que se quer uma bica. Se alguém oferece, também, uma aguardente, diz-se “Já agora…”. Tudo se passa no pretérito, no condicional, na coincidência (…)”

Espero que com estes exemplos fiquem interessados em ler mais… "A Causa das Coisas", Miguel Esteves Cardoso.

Eu recomendo vivamente, mas com moderação!!!! :P

Hasta

17 de março de 2008

O regresso dos que não voltaram

Em primeiro lugar, desculpa a todos por esta ausência mas a vinda de amigos aqui fazer uma visita à capital europeia, não me permitiu tempo algum junto ao computador.

Desculpas – já diziam os grandes defensores, e muitas vezes abusadores de tradições académicas – não se pedem, evitam-se. Ora logo aqui depara-se me um problema. Sendo certo que já não a posso evitar, pois o “mal” está feito, será que não tenho direito a desculpa? Pois devo evitar fazê-lo, e isso ainda está no meu controle, ou por outro lado significará que quando se erra não se deverá pedir desculpa? Ou então só se deverá pedir desculpa de não se ter podido evitar o acto erróneo? Mas aí voltámos ao problema inicial pois acabámos de pedir outro tipo de desculpa.

As desculpas pedem-se, devem-se pedir, quando não podendo ser evitadas.


Mas o que me trás aqui hoje é primeira crónica “Livro do Momento”. E como vocês se têm portado bem e eu muito mal vou tentar fazer uma espécie de 2 em 1, visto desde que tive esta ideia já me posiciono na leitura do 3º livro.

Uma família inglesa – Júlio Dinis
Bem, este é um livro que dá logo vontade de recuar um século, século e meio, para conhecer um Porto que me parece muito mais atractivo que o actual. A um portuense como eu, este livro é capaz de dizer mais um bocadinho do que às gentes de outros lugares, já que os nomes das ruas que ficam se opõem às descrições dos locais, muito dos quais já não existem, pelo menos na configuração dada por Júlio Dinis.

Tendo sido nos últimos 4 anos, antes da sua morte que escreveu as suas obras mais importantes, este escritor consegue em “Uma família inglesa” demonstrar sentimentos experimentados pelo ser humano de uma forma tão simples, tão real e por isso tão genial.

Não esperem um grande enredo, e não o é, diz-nos o próprio autor no início do livro. É apenas a descrição do dos dias de uma família britânica no dia-a-dia portuense. Muito interessante. Aconselho vivamente a quem goste de ler por ler, pela beleza da escrita, pela leveza da descrição pelo ganho de cultura e não só porque existe esta ou aquela labiríntica intriga. Porque não há e disso somos avisados, mas ao ler “Uma família inglesa”, não nos importamos.

“Era Cecília; adivinhou Carlos que era, ela antes de a reconhecer. Com a aparição ficou mortificado e contente; outra vez o mesmo fenómeno paradoxal.
Apressou logo os passos e tomou uns ares de homem atarefado, como se quisesse dar a entender que a sua passagem por ali era puramente casual ou motivada por negócio urgente.”

Autor português, numa altura em que nós, os portugueses atravessamos uma crise de identidade, é a este tipo de laços que nos temos de agarrar, pois continuamos a ter coisas de que nos podemos orgulhar.

Júlio Dinis morreu novo, 31 anos com tuberculose, doença que atingiu toda a sua família. Hoje tivemos Figo e Jorge Sampaio em Londres a fazer campanha contra esta doença.

Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas há coisas que temos e devemos enaltecer.



O atentado – Yasmina Khadra
Bem confesso, que quando peguei neste livro foi com o intuito de perceber um pouco mais do contexto da guerra entre Israel e Palestina. Saí desiludido. Se calhar parti com uma ideia errada sobre o que iria encontrar. Quando abordamos um livro desta maneira corremos sempre um risco.

O contexto historico, raramente é mencionado, alguns lugares são explicitados, mas não explicados. No entanto é nos tentada dar alguma das motivações de ambos os lados para se comportarem da forma que vemos todos os dias nos jornais e televisão. Consegue em parte.

O Atentado, tem utilidade de nos fazer tentar perceber como é que pessoas que vivem vidas teoricamente normais são no entanto as primeiras a ser parte de uma rede terrorista. Como é possíveis maridos não saberem das vidas paralelas das mulheres e perderem-se irmãos e irmãs para uma guerra onde, a meu ver ao longo do livro vai perdendo toda a sua lógica, que se calhar jamais teve. Isso é bem explicado.

Andamos num círculo onde começamos em morte e acabámos enterrados. Pessoas morrem nada se avança, nada faz sentido, mas não para elas, para quem morre para quem está na luta tudo tem mais senso que para nós que acompanhamos de lado, não estamos lá, não vivemos, criticamos mas não estamos lá. Não vivemos naquele mundo. Não há verdades imaculadas, mas sinto que fica alguma coisa por dizer. Não ficará sempre nas guerras?
Sente-se a desilusão do autor, e quanto a mim é essa a beleza do livro. No entanto não é um livro que eu ache indispensável, mas lê-se muito bem e descreve uma realidade que não é a minha, e que por muitas vezes fica infelizmente esquecida.

“Vasculho a fundo as lembranças, em busca de um pormenor susceptível de tranquilizar a minha alma; não encontro nada de probante. Entre nós tecia-se o perfeito amor – nem uma só nota falsa parecia perturbar as serenatas que o saudavam. Não precisávamos de falar, dizíamo-nos um ao outro, como proclama o contador de abençoados idílios. Se ela gemia por vezes, julgava ouvi-la cantar, pois não podia suspeitar que estivesse na periferia da minha felicidade quando a encarnava completamente. Só uma vez falara em morrer.”

Leiam para se lembrarem.